Author: fweise

  • ao menos à noite refrescou um pouco.

    os dias agora correm, mas ainda são escorregadios

    na vertigem de um prazo.

    como se diz, tem dias e dias

    e horas e horas

    em que a memória se dissipa em meio às não sei quais ocupações da mente

    memória que toma corpo às duas da manhã, na hora mais que de dormir — ah, as nossas horas!

    memória que torna essa própria hora absurda, intolerável

    a hora fatal de todos os dias

    se dissipando de novo e se desfazendo aos poucos nos braços da química.

  • narrativa breve

    é de novo chegado o tempo das páginas em branco

    de cartas em branco, de poemas em branco, de trabalhos em branco, um blog em branco

    vagas ideias no ar, carentes de estrutura

    e na tela, a abstração da página,

    o cursor piscando



    tempo de comprar papel

    e tempo de repetições: leituras,

    café, cigarros e ansiedades;

    tempo de andar pela casa

    e mudar uns livros de lugar



    pôr um dedo na frente dos olhos e brincar

    de abrir um e fechar o outro e ver

    o mundo se deslocando um só pouquinho,

    fechar os olhos e não ver mais nada

    a matar o tempo exíguo



    tateando cego a caixa de lentes

    que não funcionam para míopes,

    a serem meticulosamente aplicadas

    com um rigor pretensamente científico

    a algo que simplesmente é

    mas cala



    nesses dias íngremes rumo a uma escrita

    desesperada e ingrata

    que demanda sempre

    o contrário do que realmente se quer,

    que seja: dizer pouco

    com muitas e muitas mais palavras.

  • Hello world!

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