A alma dos homens
É tal qual a água:
Do céu ela vem,
Ao céu ela ascende,
E logo sucumbe
De volta à Terra,
Em eterno oscilar.
Flui das alturas,
Do íngreme rochedo
A pura corrente,
Esguicha amável
Em névoa ondulante
À rocha polida,
E bem recebida
Flui como véu,
Corre suave
Às profundezas.
Erguem-se as rochas
Anteparam sua queda,
Espuma irritada
Gradualmente
Rumo ao vazio.
Em plano leito
Vaga pelo vale,
E no lago sereno
Contemplam sua face
Todos os astros.
O vento é o afável
Amante da onda;
Revolve do fundo
Furor espumante
Alma dos homens,
És tal como a água!
Destino dos homens,
És tal como o vento!
tradução: Florianópolis, 2014