narrativa breve

é de novo chegado o tempo das páginas em branco
de cartas em branco, de poemas em branco,
de trabalhos em branco, de um blog em branco:
vagas ideias no ar, carentes de estrutura
e na tela, a abstração da página,
o cursor piscando

tempo de comprar papel
repetir leituras, cafés,
cigarros e ansiedades…
andando em volta de casa
brincando de pôr um dedo na frente dos olhos
de abrir um e fechar o outro e ver
o mundo se deslocando um só pouquinho,
fechar os olhos e não ver mais nada
a matar o tempo exíguo

nesses dias íngremes rumo a uma escrita
desesperada e ingrata
que demanda sempre
o contrário do que realmente se quer,
que seja: dizer pouco
com muitas e muitas mais palavras.

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