improvisação vagabunda a partir de Boris Vian

eu morrerei de um câncer na garganta
morrerei de infarto, de AVC
morrerei de um câncer no esôfago
câncer ou embolia pulmonar
ou câncer de bexiga e rins
morrerei de cirrose hepática
terei trombose e as pernas amputadas
me farei morrer num surto psicótico
me farei morrer de dor de cabeça
furarei os olhos qual Édipo
ou me matarei de loucura apenas
eu morrerei jogado na frente de um carro
morrerei de metástases múltiplas
morrerei idealizando o mundo
no exato momento em que pulo
de um galho a outro, mais uma vez.
e no final, precisamente no final
partirei mais sozinho que cheguei.
mas antes de tudo isso,
por sequer um centésimo disso,
quando mais não houver corpo
ficarei espírito
e morrerei de amor.

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