(oder Schnee von Gestern)
você me pergunta se as memórias
do que vivemos e passou
por acaso valem menos
por terem passado.
traduzi meio ensaio do freud
pra tentar explicar, mas desisti:
freud perde o falo diante de
espíritos sensíveis como o seu
ou o do jovem poeta que
lhe perguntou exatamente isso
na tal anedota.
nem eu consigo ter grande fé
na explicação.
o que posso dizer: sim, a tristeza
esteve lá, esse sal que tempera
a vida sem parar.
mas não desmereçamos doces lembranças
ainda mais agora que o tempo lhes deu
mais de uma demão de esquecimento.
o que almejo quanto ao passado
e às inevitáveis marcas, boas ou más ou agridoces
(sempre agridoces)
é um respeito que quase beire a reverência
pelo precioso tempo que fez jus à minha vida.
quanto ao futuro,
espero que nos traga
a serenidade dos anos
acumuladas nas vísceras,
longamente depurados.
eu sempre quis desvendar
seu segredo de esfinge
mas talvez tenha fugido
por temer o castigo de Édipo.
(eis-me aqui mordendo a língua a falar de gregos:
você lida mesmo com as coisas
da ordem do inevitável)
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