por mais que eu queira dizer o inverso daquele poema da Szymborska
pra minha fiel companheira felina — que morrer,
isso não se faz a um humano —
os gatos, esses animais sábios e sorrateiros, elegantes até o fim
têm sua própria maneira de morrer,
discreta, privada, solitária:
quando sabem que é chegada a hora,
juntam suas últimas forças
e literalmente vão embora
expirar longe de seus humanos
como se quisessem nos poupar a materialidade da morte.
ainda que sem um corpo que deitar à terra
neste trecho de grama,
debaixo do pé de laranja
onde ela gostava de nos ver regar a horta
e lamber a água das folhas
aqui, agora e sempre celebramos a memória da Hanna,
que por quase vinte anos, foi
e sempre será nossa menina.
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