dos rincões (1)

ninguém vê a minha careta estranha quando subo a rua
encasacado demais para um clima tão quente

já estive na festa, já vi a festa acabar pra quem
precariamente me acompanhava —

já fui à última taberna local possível
que a essa hora, em dia de notória e pública festa
só serve mais aos que já tocaram (na festa).

Lembro de alguém, lembro de olhares trocados numa fração de segundo,
antes que chegasse outrem.
E das saídas abruptas de quem também quer ir à festa, só não comigo.

Tento erguer a cabeça e me orgulhar de algum tipo de livramento múltiplo e cabalístico, sei lá
bem qual —
enquanto vagueio por dentro e à margem
de toda a „cidade“ em festa

Essas ruas, que eu já acreditava tão minhas
ruas iluminadas e tristes baforadas de palheiro
em meio ao ruído dos carros que passam,
dos precavidos que vão embora cedo
aos desvairados, pra quem nunca é tarde.

Tenho tábuas à minha volta e telhas sobre minha cabeça,
meu trecho é sempre breve —
e no entanto, carrego sempre a inevitável dose de cansaço
que só se colhe com os anos e o faro e o fígado,
de quem ficou fora da festa.

Bendita sois vós, a juventude,
e malditos nós velhos malsãos
que tentam permanecer jovens! E ir à festa…

Ergue a cabeça e leva dos pequenos segundos a tua festa — e com ela te basta.

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