em breve,
outras tramas.
Blog
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pausa
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tramas
contempla de perto a elaborada tessitura
compraz-te no emaranhado das cores
e sente o desvairado, fáustico desejo
de te imiscuir, mas camuflando-te.tenta conter teus instintos ferinos
de desenrolar as mais intricadas e
por isso mais fascinantes tramas,
desfiar a vida até a raíz do cabelo.deita só sobre teu tapete
como se sobre um esquecido
leito de folhas secas.solta tuas amarras e dorme,
sonha que aprendes a tecer
com encantadas linhas alheias. -
velha cerveja a sós
eu vejo
o nível da cerveja
baixando no copo
e deixando marcas
nas paredes
(que não sei explicar
por que me lembram
de algum ciclo reprodutivo exótico
estudado e esquecido
num livro de biologia
anos atrás)na medida que
dentro de mim
oscilam os níveis
da minha coragem
e da minha sanidadee também eles
deixam marcas
na parede do
reservatóriooco, oco, oco
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podia ter sido ontem
sentado no chão da varanda
na casa da minha avó
a rua deserta
os grilos os barulhos da noite fresca de verão
um cachorro late ao longe
outro responde
uma vaca mugeo vento bate mansamente numa palmeira fazendo um farfalhar das folhas
do meu lado num vaso
o pinheiro do natal passado
já despido das luzes e trajes festivosum gato cruza a rua
um vizinho apaga uma luz
em algum lugar um talher cai no chão
e um pernilongo zombe no meu ouvidoacendo “o último zingue-lingue das férias”
pra logo ir dormir
amanhã é acordar cedo pra viajar
volta a sp
recomeçosinto uma garoazinha fina nas pernas
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finados
minha mãe foi no cemitério
capinar o mato que cobre a cova
da sua avóenquanto isso eu ouço o vento
derrubando árvores
destelhando casas
desmanchando tudoe espero, pacientemente
a chuva que nunca vem3/2/2020
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every tragedy demands a final act
para m.
vivemos numa tragédia tosca
decepada de ato final
suspensa no ar
anestesia que nunca acaba
*
às vezes o ato final acaba sendo um beijo
pra viagem. -
agulha
o mesmo tempo,
esse artesão tão hábilque sabe dar pontos e emaranhar vidas
também sabe desatá-los,
cortar linhas, cortar laços
desmanchar sua obra
e refazê-la a cada diaagora, na iminência da minha volta
e da necessidade de atar as pontas soltas
me pergunto se ainda te serve a agulha
e a que bordadosmas ao tempo não calha a piedade
muito menos esperanças de penélope.janeiro 2020
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conjuntivo
hoje na estação
enquanto esperava o amor
vi uma mulher louca
pegando o elevadorcom sua sacola de catadora
ela apertava um botão
e ria, ria, ria*
eu catando migalhas
catando cinzas
entre os dedos
assoprando feito loucosim feito a mulher louca me vejo
ajoelhado diante do fogorindo, rindo
do peculiar da vida
do amor que não existe
do que só por um instante
poderia ter sido -
improvisação vagabunda a partir de Boris Vian
eu morrerei de um câncer na garganta
morrerei de infarto, de AVC
morrerei de um câncer no esôfago
câncer ou embolia pulmonar
ou câncer de bexiga e rins
morrerei de cirrose hepática
terei trombose e as pernas amputadas
me farei morrer num surto psicótico
me farei morrer de dor de cabeça
furarei os olhos qual Édipo
ou me matarei de loucura apenas
eu morrerei jogado na frente de um carro
morrerei de metástases múltiplas
morrerei idealizando o mundo
no exato momento em que pulo
de um galho a outro, mais uma vez.
e no final, precisamente no final
partirei mais sozinho que cheguei.
mas antes de tudo isso,
por sequer um centésimo disso,
quando mais não houver corpo
ficarei espírito
e morrerei de amor. -
kirche
para uma feiticeira de outros vales
em um segundo momento:
inspirado por uma moça
que mostrava o traseiro desnudo
à igrejaà noite
ao som de uma suíte gótica
tocada pelo próprio órgão
o incenso sobe em direção aos deuses
e bacantes diante das portas do templo
se prostram ensandecidase prestam
a mais digna
e obscena
homenagem*
de manhã cedo
os passarinhos estão cantando,
louvando ao criador