com os olhos brilhantes diante de
quatro receitas psiquiátricas
cada vez entendo
e me descubro mais
minha avó
que padeceu anos
depressiva na cama
antes de alcançar
o único descanso possível.
as juntas dos dedos machucadas
de tanto bater na parede
pra que fosse atendida
o vício em balas escondidas
na palma da mão, pra depois.
o vício em benzodiazepinas:
„por favor, alguém me dá um apraz!”
hoje tão bem quanto ainda ouço
posso repetir em uníssono:
„oh Weier, oh Weier, oh Weier!”
„Na Oma, wie geht es dir?
Schlecht.”
Immer schlecht.
Eu não teria outra resposta.
Até os pés inquietos herdei.
E o ceticismo fatal
„Ach, ihr weißt doch gar nichts —
das ist alles Quatsch.”
Se ao menos pudesse dizer:
„Ja Oma, du hattest Recht.
Du hattest schon immer Recht.“
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