que não me creio mais postar
Blog
-
materialismos
3.6.2022, gegen 06:15
(als ich plötzlich erwachte)MATERIALISMUS
In der Morgendämmerung
habe ich heute aus meinem
Fenster, Venus zwischen
zwei Hochhäusern gesehen.
Heißt es Glück in der Liebe?
Nein, es war bloß ein Gestirn.***
(ao acordar de repente)
MATERIALISMO
Hoje ao amanhecer
da minha janela
vi Vênus entre
dois prédios.
Quer dizer sorte no amor?
Não, era apenas um astro. -
ode ao leite de magnésia
a oitava maravilha do mundo
o elixir dos elixires
a panaceia última e universal
há de ser o antiácidocom sua textura leitosa
de branca suspensão
e dispersão coloidalagito bem o frasco e
torço por sua vitória
contra as chamas infernais
como o estudante
que pela primeira vez
tem de balancear
uma reação ácido-baseentão alcanço
a serenidade de saber
que o mundo se acaba
em sal e água. -
azia
a boca do estômago
é como a porta do inferno
— desguarnecida —por onde cáusticas labaredas
sobem nos lambendo as entranhas
ávidas por escapar pela boca
ou quiçá
pelas ventas -
ode à psiquiatria
queria ter a serenidade dos psiquiatras
(ou traficantes, como diria um amigo meu)
que na maior tranquilidade te prescrevem
x, y, z, e te fazem acreditar que
dessa vez vai ficar tudo bem.tudo bem, eu já aceitei que
preciso de medicamentos
eles tornam minha vida um pouco
mais suportável.já desisti de procurar diagnóstico
ter uma página do DSM
pra chamar de minha.já aceitei que preciso de terapia
como a vida precisa da água
pra fazer da tempestade
uma gota d’água.
(ainda que apoiado em mais muletas
do que tenho de braços a suportar)só não me enganam
os psiquiatras descarados
que me testam pra saber
quanto eu, acostumado a ser
objeto, pagaria pra confiar
que todos meus problemas
seriam resolvidos por um sujeito
qualquer.mais provavelmente,
os motivos são mais banais.meu primeiro psiquiatra — aos dezesseis anos —
quis dar uma de louco pra cima de moi:
que cor é esse carimbo? — Amarelo.
E se eu disser que não? Como você vai provar?Pobre doutor. Respirei do fundo da minha modéstia colegial.
E o poupei de uma boa aula de física. Poupei o miserável
de uma aula de filosofia. Poupei-o até de Goethe.
Ele não entenderia mesmo.Diga-se: minha tia com a oitava série resolveu meu problema
que um médico metido a besta não resolveu.Aliás, eu queria uma palavra em português
que equivalesse a „shrink“, porque acho
muito expressiva. Talvez seja mesmo
traficante. -
confesso
que tenho tomado comprimidos efervescentes
só pelo prazer de assistir à efervescência>essa brancura mais branca
que a parede do prédio do outro lado da rua
reagindo com a água gelada
se desfazendo na fronteira com o arpelo mesmo motivo gosto também
da água com gás -
pro goethe
tem plantas bonitas
mas guarnecidas
por afiados espinhos
quem quer apanhar uma rosa
ou mesmo uma amorinha
precisa pagar com sangue
e sai todo arranhado
assim também tem gente
que parece que vem enrolada
em arame farpado. -
olha só:
os últimos dias foram mais escuros que noites de lua cheia, a neblina em volta dos morros
não tem a menor chance de se dissipar. Hoje já trovejou e choveu e a luz piscou duas vezes.
Dizem as ondas da televisão que um ciclone está se formando no mar. Dizem até que „pode“
nevar. Vai nevar onde, diz meu pai. Nas vacas gordas? No mundo novo? Não importa onde;
vem de muito que os fenômenos climáticos também sejam propagados e mitificados na
„cultura“, e por assim dizer, tornados vendáveis. Tudo entra nesse esquema. Mas olha agora
esse céu, o rabo do escorpião, percebes? A coroa austral? O rio aqui escorre rápido e vendo
estrelas de relance faço uma prece por quem mora em outros vales. Quem carreg -
wenn es regnet
dizem que a vó tem muito zelo,
pra não dizer ciúme, das suas sombrinhas
leve, mas pendure no banheiro
na varanda sombrinhas já foram levadas
desde que pra essa varanda há verões -
pausa
em breve,
outras tramas.