chega essa hora em que
no meio do silêncio de 60Hz
abstraído o rio mais um ou outro bicho
e um crepitar fantasmagórico
dum saco de milho — bichado
embebido pela fumaça de cada dia
e cada hora, cada quarto ou menos
no meio do mais perpétuo silêncio
tudo grita de desespero
seres inanimados mais móveis
que meu esqueleto imóvel
gritam como eu, em sumo silêncio
e escancaram todos os vértices
por não saber pra onde fugir.
— querer é poder, saber é poder,
e as palavras, o suco da impotência.
mas acalmem-se todos,
que já logo badala o sino imaginário
marcando o momento fulminante
em que tudo que se promete mudar
continua tal igual a antes.
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